por David Gorodovits
Conta-se que, certa vez, ao falecer, um pai deixou para os dois filhos, como única herança, um campo que há muito não era cultivado.
O primeiro filho pensou que não conseguiria tornar rentável o campo sem nele despender muito esforço e tempo. Resolveu então empregar-se em outro lugar, onde o ganho diário lhe permitisse sobreviver.
Ao terminar a jornada de trabalho, dedicava-se por mais duas horas a labutar em seu campo, segundo o programa que estabeleceu para um dia torná-lo produtivo.
O tempo foi passando e, ao cabo de alguns anos, ele pôde deixar o emprego e viver exclusivamente de seu campo. Não parou entretanto de aplicar seu esforço para torná-lo cada vez melhor e conseguiu alcançar uma situação em que não somente obtinha o necessário para si e para sua família como podia divisar o ganho futuro que asseguraria a sobrevivência tranquila de todos os seus.
O segundo filho percebeu também ser necessário encontrar em outro lugar uma fonte de subsistência e buscou e conseguiu um emprego. Ao terminar sua jornada, porém, considerava que já fizera muito esforço e que merecia descansar.
Com o passar do tempo sua parte do campo ficou tomada por ervas daninhas, a cerca deteriorou-se e em vários pontos se quebrou, animais devoraram o que ainda restava de aproveitável e ele percebeu que estava condenado a viver permanentemente do trabalho diário sem qualquer perspectiva de melhora para o futuro.
O ser humano passa pela vida como se prestasse serviço por um pagamento diário que lhe permita sobreviver. Se, entretanto, ele não deixa de aplicar parte de seu tempo no estudo da Torá e na busca de aprimoramento de seu comportamento e valores em função do que estuda, ele não somente dá significado à sua vida, como assegura também seu quinhão para o Mundo eterno.








