Brevíssima coletânea de comentários sobre a Porção PECUDÊ extraída da obra torá interpretada à luz dos comentários do Rabino Samson Raphael Hirsch recém-publicada pela Editora Sêfer.
Êxodo, Capítulo 40
17 E no primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês, foi levantado o Tabernáculo. 18 E Moisés fez levantar o Tabernáculo, e pôs suas bases, colocou as suas tábuas, pôs suas barras e fez levantar as suas colunas. 19 E estendeu a tenda sobre o Tabernáculo, e pôs a coberta da tenda sobre ele, por cima, como o Eterno ordenara a Moisés.
18-38. E Moisés fez levantar. Finalmente, no oitavo dia, no primeiro dia de Nissan, “Moisés fez levantar o Tabernáculo” (versículo 18). E quando Moisés completou a tarefa – “E Moisés acabou a obra” (versículo 33), “E a nuvem cobriu a tenda da reunião, e a glória do Eterno encheu o Tabernáculo” (versículo 34). Esse foi um sinal de que o trabalho fora feito de acordo com a vontade de Deus e de que seu propósito – “E Me farão um Santuário e morarei entre eles” (acima, 25:8) – fora realmente alcançado.
Assim como foi dito sobre o monte Sinai que “a honra do Eterno pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem cobriu-o” (ibid. 24:16) – assim, também – agora que a Torá encontrou uma moradia na terra entre os seres humanos –, o Tabernáculo se tornou o lugar onde a glória de Deus é revelada na terra. Com isso, concretizou-se aquilo que foi dito no salmo que fala da revelação de Deus (Salmo 68:18): “O Eterno está neles e o Sinai em santidade” – isto é, o Eterno veio morar entre eles, e, desde então, a santidade do Sinai se encontra no Templo.
E assim como foi dito no Sinai que “a nuvem cobriu-o por seis dias; e chamou a Moisés no sétimo dia, do meio da nuvem” (ibid. 24:16) – da mesma forma, aqui também é dito (versículo 35) que “Moisés não pôde entrar na tenda da reunião porque a nuvem pousara sobre ela”, e somente então (Levítico 1:1) “E chamou a Moisés o Eterno e falou-lhe da tenda da reunião”.
Assim que Moisés completou a tarefa de construir o Tabernáculo, ele se retirou completamente desse assunto e retornou ao meio do povo. Não foi o seu trabalho que ficou evidente no Tabernáculo, nem a sua relação com a Torá de Deus – cujo testemunho fica localizado no Tabernáculo e que é o que faz do Tabernáculo a “morada de Deus” e a “tenda da reunião”, o lugar onde Deus se reúne com seu povo. Foi a nação que, por meio deste Tabernáculo, preparou uma casa para a Torá e um altar para a sua devoção a ela. Esta foi a nação pela qual Deus colocou Sua glória na casa da Torá na terra, para morar lá.
Naquele momento de elevação espiritual e de proximidade de Deus a Israel, até mesmo Moisés recuou para o meio do povo. Deus chamava a Moisés somente quando era seu dever ouvir, da “tenda da reunião”, os mandamentos pelos quais a nação santificaria a si mesma – seu coração e suas ações – por meio da expressão simbólica dos sacrifícios e da observância da Torá. A glória de Deus, que agora habitava com a Sua Torá no meio do povo, exigirá doravante o cumprimento desses mandamentos, tanto do indivíduo quanto da nação.
Aqui, a Escritura conclui, por enquanto, as crônicas do trabalho do Tabernáculo com o anúncio de que o propósito foi realmente alcançado e a glória de Deus preencheu o Tabernáculo. No processo, a Escritura salta sobre o relato dos atos dos dias de consagração, ao qual ela retornará no Levítico (capítulo 8). Nos primeiros capítulos do Livro do Levítico, a Escritura fala da ordem dos atos dos sacrifícios realizados no Templo a fim de capacitar o povo a se santificar por meio de seu elevado simbolismo.
Com o recebimento da Torá de Deus no seio de Israel como seu propósito e objetivo supremo para todo o sempre, e com o estabelecimento da glória de Deus na moradia que Israel preparou para essa Torá, o Livro do Êxodo – o livro da redenção do Egito – chega ao seu fim. Este era o objetivo que o próprio Deus declarou ser o propósito do empreendimento de Sua redenção: “Portanto, diz aos filhos de Israel: Eu sou o Eterno! E vos tirarei de debaixo das cargas do Egito e vos salvarei do seu serviço e vos redimirei com braço estendido e com grandes juízos. E vos tomarei por Meu povo…” (acima 6:6-7). O estabelecimento do Templo da Torá, a colocação da Torá em seu lugar na arca e a dedicação de Israel sobre o altar desta Torá – foram estas coisas que fizeram do povo o povo de Deus.
“Porque a nuvem do Eterno estava sobre o Tabernáculo durante o dia, e de noite havia fogo nele, aos olhos de toda a Casa de Israel, em todas as suas jornadas” – dessa forma, “toda a Casa de Israel” passou a saber, jovens e velhos, que a supervisão de Deus e a bênção de Sua Torá não são questões de fé criadas por uma pessoa dotada de misericórdia, como um consolo pela vida terrena, mas são uma questão de saber, uma crença inabalável, baseada na certeza de um evento real que uma pessoa experimenta.
No interior da moradia da Torá, a mesa, o candelabro, o altar e as cortinas com desenhos de querubins declaram: no lugar em que a Torá de Deus habita com o frescor do crescimento eterno e com a força e perseverança do ouro puro (arca); no lugar em que a prosperidade material e espiritual (mesa e candelabro) vem apenas por meio desta Torá e é dedicada (altar de ouro) exclusivamente para ela – lá é o lugar onde descem os querubins da supervisão Divina, de modo visível e invisível, e trazem em suas asas proteção e bênção. Não se trata de fé, mas de saber, como o Eterno disse: “e sabereis que Eu sou o Eterno, vosso Deus, que vos tirará das cargas do Egito” (ibid.). A partir do que se passa sobre vocês, vocês aprenderão que quando Eu tomei vocês para ser Meu povo, não foi apenas uma vez, naquela época, que tirei vocês de debaixo dos sofrimentos do Egito; mas Eu sempre serei o Deus de vocês, estarei próximo a vocês e ao seu lado, e é dessa mesma forma que guiarei vocês, protegerei vocês e enviarei Minha bênção a vocês.

Brevíssima coletânea de comentários sobre a Porção Pecudê extraída da obra Torá Interpretada à luz dos comentários do Rabino Samson Raphael Hirsch, recém-publicada pela Editora Sêfer.








